Aspiro ao poder da glossolalia, é essa a natureza da minha «dúnamis» delivrar, criar a arte de ser lugar de passagem.

A discussão cultural?!

«The «cyberSM» project was an attempt to create a real time, visual, auditory, and tactile communication in the world of cyberspace. In the first «cyberSM» experiment, the user began to experience what others have only talked about for years: live, tactile communication through a computer environment. The «cyberSM» project expanded upon text based virtual environments, such as Minitel, MUDs, or most BBSs. (...)»

Ao realizar um destes dias uma pesquisa a fim de me documentar para um trabalho sobre a linguagem e a ciência, a literatura e a crítica literária, a Bíblia e a arte na era digital, procuro, uma vez mais, Northrop Frye em português. O deserto. Leio Adelto Gonçalves: «O canadense Northrop Frye (1913-1991) foi um dos críticos literários mais criativos do século XX e sua obra, enfeixada em quinze livros, ensaios e capítulos em outros seis livros e mais de uma centena de artigos e entrevistas, não pára de ser reeditada em vários países, ao contrário do que ocorre com a maioria dos estudiosos da literatura que, depois da morte, costumam ficar relegados ao limbo.
Flávio Aguiar, professor de Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo, entusiasta e divulgador da obra de Frye no Brasil por meio de cursos e palestras desde os anos 80, traduziu há pouco tempo The Great Code (Código dos Códigos: a Bíblia e a Literatura), empreitada difícil em que se saiu muito bem, como era de se esperar. Em 2000, saíra à luz a edição brasileira de Fables of Identity (Fábulas de Identidade), com tradução de Sandra Vasconcelos, publicada pela Nova Alexandria, de São Paulo.
Para se ter uma idéia de como a discussão cultural custa a chegar ao Brasil, basta lembrar que The Great Code é obra de 1981, que já em 1988 obteve tradução em espanhol (El Gran Código), de Elizabeth Casals, publicada pela Gedisa, de Barcelona, enquanto Fables of Identity é trabalho mais antigo, de 1963. (...)»
Pasmo, com "P de português". Crítica e Críticos, em português nos entendemos.
Toca a inovar.
Alguém viverá do ar?

(Nota: não tenho por hábito recorrer a um primo doutor-em-qualquer-coisa.)

Colaborações *

Crônica


As contradições de todos nósContradição: eis uma das palavras-chave para abrir o humano. Somos assim, um poço de contradições, diz a imagem-clichê. Prefiro pensar o humano como um quarto. Visto de fora, apenas parede, porta para acesso, janela para ventilar. É dentro do quarto que afloram os paradoxos.
As paredes, a porta e a janela continuam lá, mas existem também os cantos escuros e claros, a pintura cuidada e descascada, os móveis, as teias de aranha, as roupas usadas, úteis, guardadas nos plásticos, protegidas pela naftalina. Vivem lá, segredo, intimidade, fuga, insônia, prazer. É dentro do quarto que nasce a capacidade de disfarce, de assumirmos algo como verdade e em seguida esquecermos isso ao sabor das conveniências.
A contradição, máquina raio-X da vida, diz aquilo que somos, nos humaniza pela fragilidade. Às vezes, em gestos divertidos: o jovem tatuado, com piercings pregados nos lugares públicos e talvez nos impublicáveis, calma e burguesamente toma café num shopping; a prostituta perde dinheiro para manter a idéia romântica do não-beijo na boca; o estivador chora diante do mar, o poeta sente raiva das palavras.
Noutras vezes, o contradizer-se é trágico para si e para o outro: o pai elogia o filho na frente das visitas e, à noite, o destrói; o amigo nega três vezes; a liberdade é uma questão de forca ou tiro.
Na vida comezinha, esta sobre a qual nem prestamos atenção, existem contradições breves e contínuas que podem ser praticadas pelo mesmo indivíduo: amar e trair; arrepender-se e pecar no minuto seguinte; mentir e assumir verdades difíceis; odiar o vizinho e fundar uma associação de caridade; fofocar e guardar durante anos um segredo inútil; prejudicar um colega de trabalho por vaidade e ajudar aidéticos. Humanidades, enfim.
O interessante neste tipo de contradição é que ela quase sempre só é percebida no outro. Isto aparece quando se fala mal de alguém que não está presente: é um rol de impropérios, de defeitos, da impossibilidade que a esculachada pessoa tem para viver em grupo. Quando ouço isso, fico curioso: quem é este alguém tão mal-falado? Por que recebe tanto ódio pelas suas ações? Como reagiria se ouvisse tudo o que dizem dele?
Eis outra contradição interessante: somos tão opiniosos, tão propensos a julgar, mas na hora do "vamos ver" não é bem assim que funciona, além disso, existe a nossa capacidade de demonizar o outro, como se ele não fosse um espelho, como se não estivesse ali refletindo muito do que somos.
* Rubens da Cunha, in A Notícia

Ilustração (minha): fotograma de As Asas do Desejo, um filme de W. Wenders

Kronos - logos

Das eras:
7515 da bizantina; 4643 da chinesa; 2755 da de Nabonassar; 2666 da japonesa; 2318 da grega; 2044 da de César; 1928 da Saka; 1427 da islâmica; 5767 da israelita; e 2006 da cristã:


Jornalista procura mulheres portuguesas (+ de 15 anos) disponíveis para falar/escrever sobre a sua sexualidade, sob total anonimato. Orientações, práticas, fantasias, a relação com o corpo, o desejo e o prazer. Os testemunhos serão reproduzidos num livro a publicar em 2oo7, pela editora Esfera dos Livros. No Sexualidade Feminina, o blogue.

Non so come strematta tu resisti
in questo lago
d'indifferenza ch'è il tuo cuore; forse
ti salva un amuleto che tu tieni
vicino alla matita delle labbra,
al piumino, alla lima: un topo bianco
d'avorio; e così esisti!

Eugenio Montale

Imagem: Arturo Rivera, Arnolfini II, óleo s/tela, 2005

Biblioteca pessoal - II

1 - Do LIVRO: «(...) No dia em que o cedro desceu ao mundo dos mortos, ordenei o luto, fechei sobre ele o Abismo, fiz parar os rios e as suas águas abundantes estacaram. Por causa dele, o Líbano encheu-se de tristeza (...) Nas regiões subterrâneas foram consoladas todas as árvores do Éden, as mais belas e magníficas árvores do Líbano, todas aquelas que são irrigadas pelas águas. (...)» Ez 31 ss. (Ezequiel é eloquente!)

2 - Um conjunto de livros na Cotovia: Israel e o Islão. As centelhas de Deus. Orientalismo. A Guerra em Debate. Considerações sobre a desgraça árabe.

3 - Roth e O Complexo de Portnoy: «E em vez de se lamentarem por aquele que virou as costas à saga do seu povo, porque é que não choram antes pelas vossas tristes pessoas, sempre a sorver essa uva azeda da religião! Judeu, judeu, judeu, judeu, judeu, judeu! Já não posso mais com a saga dos judeus martirizados! Por isso faz-me um favor, meu povo martirizado: vai à merda mais a tua herança de martírio! - é que eu por acaso também sou um ser humano!»

4 - Origens, de Amin Maalouf: um excerto; Le Clézio-Maalouf: un air de famille, uma entrevista; e um pequeno dossiê sobre o autor.

Para terminar, creio nunca ter ouvido falar, em Portugal, a propósito do Médio Oriente, da questão da Água. Basta observar os mapas político e geológico, fazer o confronto e pensar um pouco.

Imagem

Milenarismos

Les Très Riches Heures du Duc de Berry


Pois aqui está, neste homem, toda a diferença. Vós, que me ledes, quer ameis o livro quer não, olhai-o com curiosidade. Não se pode menosprezar a sua grandeza.


Imagem

Territórios da Imagem (14)



Imagem: Alberto Garcia Alix, Camino del Golgota, 2003.

Blogues


Los muertos que ustedes matan gozan de buena salud (los blogs), in Recuerdos del día de mañana.

Actualização (às 16,51,23): quando estou com a espertina e preciso de adormecer embalado, vejo um bocadinho do Eixo do Mal e é remédio santo! Ainda bem que o Henrique me informou, aqui, dos últimos 15 minutos. F... como o mundo é ingrato!

Imagem: Paolo Ucello, S. Jorge e o Dragão